A relação entre a carne vermelha e o risco de doenças crónicas (além dos efeitos negativos para o planeta) é bastante robusta. Inúmeros estudos sugerem que o consumo de carne vermelha e processada aumenta o risco de várias doenças crónicas e mortalidade. Entre outros problemas, o consumo de carne vermelha está associado a um risco superior de doenças cardiovasculares, diabetes e alguns tipos de cancro . Além disso, está também associado a um risco superior de mortalidade total, por doença cardiovascular e por cancro .

Essa associação é especialmente evidente no caso do cancro colorretal, tendo a carne processada sido classificada em 2015 como cancerígena para humanos pela IARC e a carne vermelha como provavelmente cancerígena .

Um novo estudo procurou conhecer os efeitos da carne vermelha para o risco de doenças cardiovasculares comparativamente com outras fontes de proteína. Foram usados os dados a partir de uma coorte de 43272 homens acompanhados ao longo de 30 anos. Alguns resultados do estudo:

  • Cada porção diária de carne vermelha total, carne vermelha e carne processada esteve associada a um risco 12%, 11% e 15% superior de doença coronária, respetivamente;
  • Comparativamente com a carne vermelha, uma porção diária de fontes combinadas de proteína vegetal, incluindo frutos secos, leguminosas e soja esteve associada a um risco 14% inferior de doença coronária. Esse risco foi ainda menor (18%) no caso de homens com mais de 65 anos e quando comparado com carne processada (17%);
  • Substituir carne vermelha por cereais integrais e produtos lácteos e carnes processadas por ovos, esteve também associado a uma diminuição do risco de doença coronária.

O estudo concluiu que substituir carne vermelha por alimentos vegetais de qualidade como leguminosas, frutos secos ou soja poderá diminuir o risco de doença coronária .

Fig 1

Estudos anteriores chegaram a resultados semelhantes. Uma análise a 6 estudos prospetivos mostrou que 2 porções adicionais por semana de carne vermelha estiveram associadas a um risco 3% superior de doenças cardiovasculares. No caso de carne processada, o risco foi 7% superior .

Uma meta-análise a 17 estudos prospetivos mostrou que 1 porção por dia de carne vermelha total esteve associada a um risco 19% superior de mortalidade por doença cardiovascular .

Um estudo prospetivo com 409885 participantes mostrou que o risco de doença cardiovascular isquémica foi 19% superior por cada incremento de 100g/dia de carne vermelha ingerida .

Um estudo prospetivo de grandes dimensões que acompanhou 131342 participantes ao longo de 32 anos, concluiu que comer mais proteína vegetal está associado a um risco inferior de mortalidade (10%) e comer mais proteína animal está associado a um risco superior de mortalidade (8%), especialmente entre adultos com pelo menos um comportamento pouco saudável, como fumar, beber álcool ou ser sedentário .

Outro estudo prospetivo seguiu 70696 participantes ao longo de 18 anos tendo concluído que uma ingestão superior de proteína vegetal esteve associada a uma diminuição do risco de mortalidade total (16%) e por doença cardiovascular (30%). Além disso, substituir proteína animal (especialmente carne vermelha e processada) por vegetal esteve associado a uma diminuição do risco de mortalidade total (34%), por cancro (39%) e por doença cardiovascular (42%). Uma ingestão superior de proteínas vegetais poderá por isso contribuir para a saúde a longo prazo e longevidade .

Não só um rácio superior de proteína animal relativamente a proteína vegetal e consumo elevado de carne poderá estar associado a um risco superior de mortalidade, como esse risco parece ser mais evidente entre aqueles que têm uma doença crónica .

Por outro lado, vários estudos sugerem que dietas de base vegetal poderão diminuir o risco de doenças cardiovasculares. Um estudo prospetivo com 44561 participantes acompanhados ao longo de 11,6 anos mostrou que uma dieta vegetariana esteve associada a um risco 32% inferior de doença cardiovascular isquémica, comparativamente com uma dieta omnívora .

Uma revisão sistemática e meta-análise a 86 estudos seccionais e 10 estudos prospetivos mostrou também que uma dieta vegetariana esteve associada a um risco 25% inferior de cardiopatia isquémica .

Uma dieta de base vegetal rica em alimentos vegetais de qualidade como leguminosas, frutos secos, soja, cereais integrais, legumes e fruta, diminuindo ou evitando a ingestão de carne vermelha, é uma forma eficaz de diminuir o risco de doenças cardiovasculares e outras doenças crónicas.

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