degeneração macular é uma doença da retina que afeta a mácula. O envelhecimento é o seu principal fator de risco, sendo a principal causa de perda de visão em pessoas com mais de 60 anos. Esta doença provoca lesões na mácula, região do olho responsável pela visão central a qual permite-nos ver objetos em frente do nosso campo visual. Em geral a doença aparece depois dos 55 anos, é progressiva e aumenta a sua prevalência com a idade. A incidência e a prevalência da degeneração macular têm vindo a aumentar, o que resulta do envelhecimento geral da população, do aumento das situações implicadas no seu aparecimento e, também, da melhoria da capacidade de diagnóstico para esta doença.

mácula cujo nome em latim, macula lútea, significa ponto amarelo, é justamente um ponto ovalado de cor amarela junto ao centro da retina do olho. A sua cor permite absorver o excesso de luz azul e ultravioleta que entra no olho, protegendo o olho de danos. A sua cor vem do facto de ser rica em dois carotenoides, a luteína e a zeaxantina, ambos provenientes da dieta.

A dieta tem um papel fundamental na prevenção da degeneração macular (Gopinath et al., 2018). Além da importância de ingerir alimentos ricos em luteína e zeaxantina, tais como: couve kale, espinafres, nabiças, acelgas, couve galega ou ervilhas, um novo estudo sugere que as bagas goji poderão ser uma boa forma para prevenir a doença. No estudo participaram 27 voluntários, divididos em 2 grupos que ingeriram 28 g de bagas goji ou um suplemento contendo 6 mg de luteína e 4 mg de zeaxantina, 5 vezes por semana, durante 90 dias. Ao fim desse tempo o grupo das bagas goji obteve um aumento da densidade dos pigmentos protetores do olho, ao contrário do grupo do suplemento no qual não se observaram alterações. Embora se trate de um estudo pequeno e de curta duração, o estudo concluiu que a ingestão regular de bagas goji poderá ajudar a diminuir o risco de degeneração macular (Li et al., 2021).

Em Portugal, cerca de 12% das pessoas com mais de 55 anos de idade sofrem de degeneração macular. A forma mais precoce da doença contribui com cerca de 85 a 90% dos casos e em regra não provoca sintomas relevantes. As formas tardias ou avançadas da doença (degeneração macular com atrofia geográfica e degeneração macular exsudativa) são responsáveis por 10 a 15% dos casos e podem provocar perda grave e irreversível da visão central ou de leitura.

Um estudo prospetivo anterior que acompanhou 1278 participantes ao longo de 18 anos, sugere que uma dieta ocidental, caracterizada por ser rica em produtos animais, gorduras saturadas, fritos, açúcares livres e farinhas refinadas, poderá estar associada a um risco 344% superior de degeneração macular tardia. Outros resultados do estudo:

  • Uma ingestão elevada de alimentos fritos esteve associada a um risco superior de degeneração macular precoce;
  • Uma ingestão elevada de fruta fresca, leguminosas e laticínios magros esteve associada a um risco inferior de degeneração macular tardia;
  • Uma ingestão elevada de carne vermelha, ovos e gordura esteve associada a um risco superior de degeneração macular tardia.

O estudo concluiu que uma dieta ocidental poderá aumentar o risco de degeneração macular tardia e que estes resultados poderão ajudar a estabelecer recomendações para uma dieta protetora da visão, rica em produtos vegetais e pobre em carnes processadas, carnes vermelhas, gorduras saturadas, açúcares simples e cereais refinados.

Além da importância dos carotenoides para a preservação da mácula, outros componentes presentes nos alimentos poderão ser protetores, tais como os flavonoides ou os nitratos. Um estudo prospetivo com 2037 participantes acompanhados ao longo de 15 anos mostrou que uma dieta rica em flavonoides, especialmente laranjas, poderá diminuir o risco de degeneração macular. Alguns resultados do estudo (Gopinath et al., 2018):

  • Consumir 1 ou mais laranjas por dia esteve associado a uma diminuição de 61% no risco de degeneração macular;
  • Uma ingestão superior de flavanonas esteve associada a uma diminuição de 71% no risco de degeneração macular;
  • Uma ingestão superior de flavonóis esteve associada a uma diminuição de 57% no risco de degeneração macular.

Os flavonoides são fitoquímicos com propriedades antioxidantes, antiangiogénicas e anti-inflamatórias, presentes em alimentos como chá, cacau, leguminosas, fruta e vegetais. Além disso poderão ser protetores para a saúde cardiovascular ao melhorar a função endotelial. Com base na mesma amostra de 2037 participantes acompanhados ao longo de 15 anos, outro estudo mostrou que uma ingestão superior de nitratos vegetais presentes principalmente em vegetais de folha verde e beterraba poderão diminuir o risco de degeneração macular (Gopinath et al., 2018). De acordo com o estudo, aqueles que ingeriram entre 100 a 142 mg de nitratos vegetais diariamente tiveram uma diminuição de 35% no risco de degeneração macular. Os espinafres têm aproximadamente 20 mg de nitratos por 100 g e as beterrabas têm 15 mg.

Cuidados a ter com a alimentação para diminuir o risco de degeneração macular:

  • Fazer uma alimentação rica em vegetais e frutos (5 a 9 porções por dia), especialmente os vegetais de folha verde escura.
  • Comer frutos vermelhos (ricos em ácido elágico).
  • Comer vegetais e frutos ricos em betacatoreno (batata doce laranja, cenoura, abóbora, manga, etc.).
  • Evitar gorduras saturadas (carne, manteiga, natas, queijo, leite, etc.).
  • Preferir peixes ricos em ómega-3, como a sardinha ou a cavala.
  • Evitar açúcares e alimentos com farinhas e cereais refinados.
  • Consumir alimentos ricos em ómega-3, tais como: linhaça moída, chia, nozes, beldroegas e alguns peixes gordos.
  • Consumir leguminosas, em especial soja (tem propriedades antiangiogénicas).

Nutrientes a reforçar:

  • Luteína;
  • Zeaxantina;
  • Zinco;
  • Vitamina C;
  • Vitamina E;
  • Betacaroteno;
  • Ómega-3;
  • Cobre.

Alimentos ricos em Luteína e Zeaxantina (comer todos os dias várias porções destes vegetais):

  • Couve kale;
  • Espinafres;
  • Nabiças;
  • Acelgas;
  • Couve galega;
  • Ervilhas.

De acordo com o estudo AREDS, a seguinte combinação de suplementos pode ser eficaz a reduzir a progressão da doença (Age-Related Eye Disease Study Research Group, 2001Age-Related Eye Disease Study 2 Research Group, 2013):

  • 500 mg de Vitamina C;
  • 400 UI de Vitamina E;
  • 80 mg de Zinco;
  • 2 mg de Cobre;
  • 10 mg de Luteína;
  • 2 mg de Zeaxantina.

Referências:

  1. Gopinath B, Liew G, Kifley A, Lewis JR, Bondonno C, Joachim N, et al. Association of Dietary Nitrate Intake with the 15-Year Incidence of Age-Related Macular Degeneration. Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics [Internet]. 2018 Oct 17 [cited 2018 Oct 22];0(0). Available from: https://jandonline.org/article/S2212-2672(18)30276-4/fulltext
  2. Li X, Holt RR, Keen CL, Morse LS, Yiu G, Hackman RM. Goji Berry Intake Increases Macular Pigment Optical Density in Healthy Adults: A Randomized Pilot Trial. Nutrients [Internet]. 2021 Dec [cited 2022 Jan 22];13(12):4409. Available from: https://www.mdpi.com/2072-6643/13/12/4409
  3. Gopinath B, Liew G, Kifley A, Flood VM, Joachim N, Lewis JR, et al. Dietary flavonoids and the prevalence and 15-y incidence of age-related macular degeneration. Am J Clin Nutr [Internet]. 2018 Aug 1 [cited 2018 Oct 22];108(2):381–7. Available from: https://academic.oup.com/ajcn/article/108/2/381/5049680
  4. Age-Related Eye Disease Study Research Group. A randomized, placebo-controlled, clinical trial of high-dose supplementation with vitamins C and E, beta carotene, and zinc for age-related macular degeneration and vision loss: AREDS report no. 8. Arch Ophthalmol. 2001 Oct;119(10):1417–36.
  5. Age-Related Eye Disease Study 2 Research Group. Lutein + zeaxanthin and omega-3 fatty acids for age-related macular degeneration: the Age-Related Eye Disease Study 2 (AREDS2) randomized clinical trial. JAMA. 2013 May 15;309(19):2005–15.