Nas doenças autoimunes o sistema imunitário ataca e destrói tecidos saudáveis do nosso próprio organismo. No caso de uma dessas doenças, a esclerose múltipla, o sistema imunitário ataca a bainha de mielina que protege as células nervosas do cérebro e da espinal medula. Os danos que daí decorrem afetam a transmissão de impulsos nervosos, levando a uma série de sintomas como dormência dos membros, fraqueza muscular, coordenação, problemas de equilíbrio e declínio cognitivo. Atualmente não existem tratamentos que consigam com eficácia parar o desenvolvimento da doença sem aumentar o risco de infeções ou de cancro.

Nas infeções, linfócitos T invadem a área afetada de forma a combater os agentes patogénicos (no caso das doenças autoimunes, os tecidos saudáveis são confundidos por esses agentes). De forma a responder de forma mais rápida à ameaça, os linfócitos T são reprogramados epigeneticamente de forma a replicarem-se mais rapidamente e diferenciarem-se em subtipos especializados.

De acordo com um estudo, para essa reprogramação se dar tem de haver metionina disponível obtida a partir da alimentação. Embora muitas células no organismo consigam produzir metionina a partir da homocisteína, os linfócitos T não conseguem fazê-lo, tendo que ser inteiramente obtida a partir de alimentos. Embora a metionina se encontre em vários alimentos, alimentos como carne e ovos contêm níveis particularmente elevados desse aminoácido.

Em modelo animal, uma intervenção com restrição de metionina na dieta foi capaz de desacelerar o desenvolvimento e progressão de esclerose múltipla ao inibir a proliferação de linfócitos T (Th17), a produção de citocinas e a infiltração de linfócitos T no cérebro. Isso acontece porque a metionina é fundamental para produzir S-adenosilmetionina (SAM), um metabolito que regula a expressão de genes nos linfócitos T. Estes resultados preliminares sugerem que uma dieta com restrição de metionina poderá ser eficaz a tratar doenças autoimunes como a esclerose múltipla .

Sendo um dos nutrientes essenciais, a ingestão de referência populacional (PRI) de metionina é de 12,2 mg/kg/dia. O aminoácido metionina encontra-se naturalmente presente em grandes concentrações em alimentos de origem animal como: peixe, galinha, porco, queijo, peru, carne vermelha, ovos, entre outros. Por outro lado, uma dieta de base vegetal, especialmente no caso das veganas, é naturalmente baixa em metionina .

Referências:

1.
Roy DG, Chen J, Mamane V, Ma EH, Muhire BM, Sheldon RD, et al. Methionine Metabolism Shapes T Helper Cell Responses through Regulation of Epigenetic Reprogramming. Cell Metabolism [Internet]. 2020 Feb 4 [cited 2020 Feb 11];31(2):250-266.e9. Available from: https://www.cell.com/cell-metabolism/abstract/S1550-4131(20)30006-1
1.
Cavuoto P, Fenech MF. A review of methionine dependency and the role of methionine restriction in cancer growth control and life-span extension. Cancer Treat Rev. 2012 Oct;38(6):726–36.