Uma doença infecciosa com proporções epidémicas como a COVID-19 tem, antes de mais, de ser controlada por medidas de higiene e prevenção. No entanto, também é sabido que fatores de risco associados ao estilo de vida parecem ter um papel importante no risco de doença grave e mortalidade por COVID-19. Em especial, a obesidade, diabetes tipo 2, doença cardiovascular e hipertensão estão associados a um risco superior de COVID-19 severa .

Estes fatores de risco estão fortemente relacionados com estilos de vida e dietas de risco, sendo que fatores nutricionais têm um papel importante no adequado funcionamento da imunidade. Em particular, uma adequada ingestão de vitaminas A, B6, B12, C, E, vitamina D, folato, zinco, ferro, selénio, cobre e óemega-3 parecem ser fundamentais para um sistema imunitário funcional .

Nesse sentido, uma dieta equilibrada e saudável deverá ser relevante para diminuir o risco de formas mais graves da COVID-19. Para testar essa hipótese, um estudo observacional acompanhou e analisou as dietas de 2884 profissionais de saúde com elevada exposição a casos de COVID-19 de 6 países (França, Alemanha, Itália, Espanha, Reino Unido e EUA). Depois de serem controlados vários confundidores, observaram-se os seguintes resultados:

  • Dietas de base vegetal tiveram um risco 73% inferior de COVID-19 severa;
  • Dietas pescetarianas tiveram um risco 59% inferior de COVID-19 severa;
  • Comparativamente com aqueles que fizeram uma dieta de base vegetal, aqueles que fizeram uma dieta baixa em hidratos de carbono e ricas em proteínas (low carb, high protein) tiveram um risco 286% superior de COVID-19 severa.

O estudo concluiu que dietas de base vegetal ou pescetarianas poderão diminuir o risco de COVID-19 mais grave. Por outro lado, dietas pobres em hidratos de carbono e ricas em proteína poderão estar associadas a um risco superior de COVID-10 grave, comparativamente com dietas de base vegetal. Aqueles que relataram seguir uma dieta de base vegetal ou pescetariana ingeriram mais vegetais, leguminosas e frutos secos, e menor quantidade de carne vermelha e processada e aves. Uma dieta saudável rica em alimentos com grande densidade nutricional poderá ser protetora contra formas graves da COVID-19 .

O estudo tem no entanto, algumas limitações, como o facto de ser um estudo de caso-controlo em que os participantes é que descrevem o que consomem. Nesse sentido, mais estudos deverão ser realizados que confirmem estes dados. No entanto, dietas de base vegetal estão associadas a inúmeras vantagens para a saúde e para o ambiente, por isso, haverá sempre benefícios em aumentar os vegetais, frutos, leguminosas, cereais integrais, frutos secos e sementes nas nossas vidas, com ou sem COVID-19.

Mais recentemente um novo estudo procurou avaliar a relação entre a qualidade da dieta e o risco de vir a ter COVID-19. Para isso foram acompanhados 592571 participantes a quem foi pedido que preenchessem um questionário sobre o que comeram antes e durante a pandemia. Para definirem a qualidade da dieta dos participantes, foi utilizado uma forma de classificação em função da qualidade nutricional dos alimentos ingeridos. As dietas com um score de alta qualidade incluem mais alimentos de origem vegetal como frutos, vegetais, cereais integrais mas também peixes gordos e menores quantidade de alimentos processados e cereais refinados. De acordo com os resultados, uma dieta de base vegetal de qualidade esteve associada a um risco 9% inferior de COVID-19 e um risco 41% inferior de doença grave. Essa associação observa-se mesmo quando foram controladas outras variáveis como idade, IMC, etnicidade, fumar, atividade física e outros problemas de saúde. O estudo conclui que uma dieta de base vegetal de qualidade poderá diminuir o risco de COVID-19 e da severidade da doença .

Outro estudo com 37988 participantes procurou identificar associações entre alimentos específicos e o risco de COVID-19, tendo observado os seguintes resultados:

  • Beber 2 a 3 chávenas de café por dia esteve associado a um risco 10% inferior de COVID-19;
  • Uma ingestão de pelo menos 0,67 porções de vegetais por dia esteve associado a um risco 12% inferior de COVID-19;
  • Ter sido amamentado na infância esteve associado a um risco 9% inferior de COVID-19;
  • Uma ingestão de pelo menos 0,43 porções de carne processada por dia esteve associada a um risco 14% superior de COVID-19.

O estudo concluiu que a ingestão de vegetais, café e ter sido amamentado poderá diminuir o risco de COVID-19; a ingestão de carne processada poderá aumentar esse risco .

Referências:

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