colon-cancer-statistics-worldwidecancro colo-retal representa o terceiro tipo de cancro mais comum no mundo inteiro, embora exista uma incidência muito inferior em países menos desenvolvidos, aumenta muito com a industrialização e urbanização. Neste momento, devido ao progressivo desenvolvimento destes países, os casos estão a aumentar. Ainda assim, continua a ser relativamente incomum em África e grande parte da Ásia. É uma doença fatal em perto de metade dos casos, sendo a 4ª causa de morte mais comum de cancro.

De uma maneira geral, de acordo com as evidências disponíveis, os especialistas consideram que a dieta tem um papel fundamental na prevenção e origem deste tipo de cancro. No atual estado de conhecimento, o consumo de carnes vermelhas e processadas está de forma convincente relacionado com um aumento de risco de cancro colo-retal. De acordo com a estimativa do maior relatório desenvolvido sobre a relação entre nutrição e cancro, caso se reduzisse o consumo de carnes vermelhas e processadas e se consumisse mais alimentos ricos em fibras, cerca de 50% de casos de cancro colo-retal poderiam ser evitados.

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Já sabemos que a soja é uma alimento com variadas propriedades anticancerígenas. Parte dessas propriedades devem-se ao facto de ser rica em fitoquímicos, especificamente as isoflavonas, que poderão ter várias propriedades anticancerígenas. As isoflavonas de soja, chamados fitoestrogénios pela sua parecença ao estrogénio nas suas duas formas principais: a genisteína e a daidzeína, podem atuar tanto como o estrogénio como um antagonizante, sempre com uma potência muito inferior a essa hormona. Aliás, esse aspecto seletivo dos fitoestrogénios tem interessado os investigadores por poder agir positivamente noutros tecidos que beneficiam com os efeitos do estrogénio (como a densidade óssea) assim como bloquear a ação proliferativa do estrogénio (tal como as células do tecido mamário).

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No que diz respeito à sua ação nas células mamárias, essa ação pode ser equiparada ao medicamento tamoxifen, utilizado para prevenir uma recidiva de cancro da mama, bloqueando os recetores de estrogénio e assim impedindo que este tenha a sua ação proliferativa. Os fitoestrogénios por terem uma constituição química capaz de se ligar a esses recetores fazem exatamente o mesmo: ligam-se, impedindo que o estrogénio, muito mais potente, se ligue não tendo assim a sua ação estimulante do crescimento. Além disso, as isoflavonas têm uma ação inibidora diretamente sobre o tumor: são antiangiogénicas, inibindo a vascularização do tumor; são antioxidantesanti-inflamatórias (inibindo assim um dos mecanismos essenciais ao desenvolvimento do cancro) e inibem o crescimento do tumor.

Os benefícios da soja na prevenção do cancro parece ir para lá de cancros como o da mama ou da próstata. Investigadores da Universidade de Illinois têm evidências suficientes para achar que a exposição ao longo da vida à genisteína (fitoestrogénio presente na soja) protege contra o cancro do cóloninibindo um sinal que leva ao crescimento acelerado de células, pólipos e eventualmente tumores malignos. De acordo com um dos autores do estudo, a Dra. Hong Chen, a genisteína é capaz de alterar a expressão de três genes que controlam uma via de sinalização importante.

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A investigadora diz que “as células da  mucosa do intestino são completamente substituídas semanalmente. No entanto, em 90% dos pacientes de cancro do cólon um importante sinal que promove o crescimento está sempre ativo, levando a um crescimento descontrolado e malignidades. O nosso estudo sugere que a sinalização aberrante Wnt durante o desenvolvimento de cancro do cólon pode ser regulado através de dietas ricas em soja“. De acordo com os autores, uma dieta rica em genisteína presente na soja inibe esses sinais através de modificações epigenéticas nas regiões reguladoras desses genes.

SoyProductsNo estudo, os cientistas alimentaram ratos fêmeas grávidas e as suas crias com uma dieta composta de proteína de soja isolada e uma dieta com um composto de genisteína. Às 7 semanas de idade, as crias foram expostas a um carcinogéneo tendo continuado a alimentar-se de proteína de soja ou genisteína até terem 13 semanas de idade. Nessa altura os investigadores inspecionaram o cólon dos ratos de ambos os grupos e compararam-nos com ratos num grupo de controlo, tomando nota do número e da severidade de crescimentos anormais em ambos. Compararam também a sinalização Wnt antes e depois do carcinogéneo para verificarem se a dieta teve algum efeitos na regulação positiva.

Nos animais alimentados com genisteína os níveis de sinalização eram idênticos aos ratos que não foram expostos ao carcinogéneo. Chen observa que “a genisteína diminuiu a expressão de 3 genes e inibiu o processo de sinalização que está associado com o crescimento anormal celular e desenvolvimento de cancro”. A autora afirma que estes resultados mostram que o cancro do cólon é uma doença epigenética, o que significa que os fatores da dieta e ambientais podem influenciar os genes de forma a serem ativados ou desativados existindo assim um padrão de expressão de genes diferente, o que pode levar a uma alteração na suscetibilidade à doença.

Hong Chen conclui dizendo que “é sabido há muito tempo que os emigrantes da Ásia, onde a soja é um alimento tradicional, experimentam níveis superiores de cancro colo-retal (entre outros) ao adotarem os hábitos dos países ocidentais. A informação genética herdada dos pais não representa a história completa. As nossas escolhas alimentares, a nossa exposição às toxinas do ambiente e até os nossos níveis de stress afetam a expressão desses genes“.

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Outros estudos desenvolvidos na mesma Universidade têm vindo a observar os benefícios de certos componentes da soja não só na prevenção do cancro do cólon mas na metastização da doença. Em particular um desses componentes, a lunasina (um péptido da soja), tem mostrado reduzir dramaticamente as metástases do cancro do cólon em ratos. Os investigadores observaram que quando a lunasina é administrada oralmente na proporção de 20 mg por cada kg de peso corporal, isso reduziu o número de tumores metastizados em 94%, ou seja, reduziram de 18 tumores para 1. Estes resultados foram conseguidos utilizando apenas a lunasina, sem mais nenhum tipo de tratamento.

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O estudo mostrou que a lunasina pode penetrar na células de cancro, induzir a morte da célula e interagir com pelo menos um recetor numa célula que esteja pronta a metastizar. Utilizando ratos nos quais foram introduzidas células de cancro do cólon humanas, os cientistas começaram por alimentar os animais com 8 mg/kg de lunasina diariamente, o que reduziu o número de novos tumores no fígado em 55%. Ao aumentarem a dose 5 vezes chegaram a uma redução de 94% nos tumores com a dose de 20 mg/kg de lunasina.

Os cientistas dizem que consumir o equivalente a 20 mg de lunasina por kg em produtos de soja é difícil mas que seria facilmente atingido caso alguns alimentos fossem enriquecidos com lunasina tal como algumas farinhas já o são. Elvira de Mejia, um dos autores do estudo, diz que a exposição diária à lunasina poderá ser mais eficaz em termos de prevenção de cancro e de metástases.

Existe evidência de que a lunasina acumula-se nos tecidos orgânicos, em especial do fígado, nos animais que tiveram uma exposição crónica a este componente da soja. “Consumir soja regularmente na dieta pode ser importante não só do ponto de vista nutricional mas também para a prevenção do cancro“, conclui de Mejia.

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Ainda existe um receio mais ou menos generalizado associado ao consumo de soja. Isso deve-se ao facto de ter na sua composição uma classe de fitoquímicos com uma estrutura química parecida com o estrogénio. Como se sabe, esta hormona tem um papel importante no desenvolvimento do cancro da mama ou do endométrio. As células mamárias contêm na sua superfície recetores de estrogénio. Quando este se liga a esses recetores, uma série de sinais químicos desencadeiam o crescimento das células de cancro que sejam sensíveis à hormona. Daí que a circulação de níveis elevados de estrogénio no organismo da mulher está relacionado com um maior risco de cancro da mama.

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Um artigo recente da American Cancer Society confirma todos estes dados e conclui como ponto da situação que o consumo de soja não representa risco para o cancro da mama e pode inclusive contribuir para reduzir a probabilidade de se ter a doença. Lembra também que além dos benefícios para o cancro da mama é igualmente benéfica para as doenças cardiovasculares, as quais são comuns em doentes de cancro. Estas e outras recomendações podem ser encontradas nas Recomendações de 2012 da American Society de Nutrição e Atividade Física para os Sobreviventes de Cancro.

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Referências:

http://www.dietandcancerreport.org/cancer_resource_center/downloads/chapters/chapter_07.pdf

http://www.dietandcancerreport.org/cup/current_progress/colorectal_cancer.php

http://www.dietandcancerreport.org/

http://carcin.oxfordjournals.org/content/early/2013/05/22/carcin.bgt129.abstract?sid=2c12c8c0-8bdc-43f3-9313-9c0e812b9256

http://www.scirp.org/journal/jct/

http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0196978109003416

http://www.aicr.org/foods-that-fight-cancer/soy.html#intro

http://www.cancer.org/Cancer/News/ExpertVoices/post/2012/08/02/The-Bottom-Line-on-Soy-and-Breast-Cancer-Risk.aspx?awid=5067873910931301591-572

http://www.cancer.org/Healthy/EatHealthyGetActive/ACSGuidelinesonNutritionPhysicalActivityforCancerPrevention/index

2017-10-24T16:43:13+00:00 1 Comment

One Comment

  1. Proctoclin 6 Setembro, 2013 at 14:01 - Reply

    Qualquer meio de prevenção de doenças é válido.

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