berry grape in a wine puddleDesde 1997, quando o primeiro artigo científico sugeriu que o resveratrol poderia ter uma ação preventiva para o cancro em ratos

, que esta pequena molécula tem sido estudada pelo seu potencial quimiopreventivo. Dentro dos fitoquímicos, o resveratrol pertence à categoria das fitoalexinas, sendo estas compostos químicos de baixo peso molecular com propriedades antimicrobianas , produzidas por cerca de 70 plantas diferentes para se defenderem de agressões externas .

LEM0909botany249Originalmente identificado em 1940 por Takaoka, isolado a partir da raiz de Veratrum grandiflorum, encontra-se naturalmente presente em diferentes plantas, tal como uvas, amendoins e alguns frutos vermelhos . Uma revisão sistemática recente conclui que embora não existam ainda dados suficientes que justifiquem uma recomendação para a administração de resveratrol em humanos, os resultados em animais têm sido promissores na prevenção de vários cancros, doenças cardiovasculares e diabetes .

resveratrol-wineUm estudo recente sugere que as propriedades do resveratrol, em modelo animal,  poderão ser mais eficazes na prevenção de cancro do cólon em doses pequenas do que em grandes doses . Estudos anteriores estudaram o efeito de grandes doses de resveratrol purificado na prevenção do cancro. Este foi o primeiro estudo que investigou os efeitos de uma dose inferior diária, equivalente à quantidade de resveratrol encontrada num copo grande de vinho tinto, comparada com outra 200 vezes superior.

Neste estudo, os ratos que receberam a dose mais baixa mostraram uma redução de 50% no tamanho do tumor. Por outro lado aqueles que receberam a maior dose mostraram uma redução de 25%, o que significa que as doses inferiores foram duas vezes mais eficazes do que as maiores a impedir o crescimento dos tumores, embora este efeito só tenha sido observado em animais com uma dieta hiperlipídica.

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Karen Brown

Karen Brown

Esta equipa de investigadores, liderada por Karen Brown da Universidade de Leicester, desde 2007 tem publicado vários trabalhos relacionados com o resveratrol. Parte das descobertas que têm conseguido fazer mostram que, relativamente aos efeitos de certas substâncias presentes na dieta, nem sempre “mais é melhor”.

Começaram por investigar a biodisponibilidade do resveratrol em voluntários saudáveis em diferentes doses . De seguida, deram as mesmas doses a pacientes de cancro do cólon que esperavam por cirurgia, tendo de seguida examinado as amostras de tecido do cólon removidas durante a cirurgia para verificarem a quantidade de resveratrol que chegou a esses tecidos . Paradoxalmente, descobriram que aqueles que receberam uma dose inferior de resveratrol (o equivalente a um copo grande de vinho tinto ou cerca de 1 kg de uvas pretas) acabaram com níveis muito superiores da substância no seu sangue e tecido do cólon do que aqueles que receberam uma dose 200 vezes superior.

No entanto, embora estes estudos mostrem que talvez os efeitos do resveratrol sejam mais significativos em doses inferiores, o vinho tinto talvez não seja a melhor forma de obtê-lo como forma de prevenir cancro. O álcool, em qualquer dose, aumenta o risco de vários tipos de cancro, sendo que os seus riscos poderão ser superiores aos eventuais benefícios. Um estudo sugere que por cada copo de vinho tinto, o etanol (substância associada ao risco de vários cancros) é 100000 vezes mais potente do que o resveratrol, excluindo assim os efeitos quimiopreventivos desta bebida .

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A melhor forma de prevenir o cancro colorretal continua a ser:

  • Limitar o consumo de carnes vermelhas;
  • Evitar as carnes processadas;
  • Manter um peso saudável;
  • Consumir alimentos ricos em fibra;
  • Fazer exercício físico;
  • Evitar bebidas alcoólicas.

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Alguns mecanismos biológicos associados aos efeitos quimiopreventivos do resveratrol :

  • Efeitos nas enzimas de biotranformação: inibição da enzimas de fase I e indução das enzimas de fase II;
  • Inibição de proliferação e indução de apoptose;
  • Inibição da invasão tumoral e angiogénese;
  • Efeitos anti-inflamatórios;
  • Propriedades fitoestrogénicas;
  • Propriedades antioxidantes.

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